quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Beijar o Beijo

Beijar o beijo
assim
nadar em suas águas
molhar me em teus desejos
afogar me nos ensejos
que me levam à você

Beijar o beijo sentindo
o cheiro do mato impingindo
teus poros nos meus
suados
entre sonho e prazer

Beijo beijado na lua
ânsia minha
busca tua
dos braços nossos flutua
um peito livre
que quer pleno ser

do beijo beijado
ardente
tão doce quanto silente
feito maré baixa ou preamar
que ondula e molha
envolve e assola
como a sede de amar

quarta-feira, 12 de outubro de 2011



SAGRADO MARFIM

O Império português na Índia e as relações intracoloniais Goa e Bahia, século XVII: iconografias, interfaces e circulações.”

Programa de Pós Graduação em História Social – Mestrado/Doutorado – PUC/SP

Banca de Defesa - Mestrado em História - 24.10 / 16.30hs

Mestrando: JORGE LÚZIO Orientação: Prof. Dr. FERNANDO T. LONDOÑO

(OBS.: CONFIRMAR SALA NO PAINEL DE “DEFESAS DA SEMANA”, 4º ANDAR, BLOCO B, PRÉDIO NOVO)

domingo, 25 de setembro de 2011

O "fazer história" e o "saber artístico".






















Quando se pensa em História, geralmente se vinculam erudição, memória, patrimônio, vultos históricos, passado... É certo que História e produção historiográfica se confundem e os objetos aqui citados - e que são instrumentos historiográficos para se compreender a existência humana ( e tudo o que lhe está implícito ) na perspectiva do espaço e do tempo, compõem um conjunto de conhecimentos que se encontram em diálogo mútuo e permanente. Para determinadas linhas de pensamento este "conjunto" é a própria História, enquanto disciplina do conhecimento. Outras interpretações o denominarão ciência, pelo seu caráter "científico", por um método de estudo e pesquisa, e pela utilização dos documentos como premissa no trabalho do historiador. De qualquer modo, prevalecerá o FAZER HISTÓRIA, sintetizado na experiência das leituras dos fatos e seus desdobramentos, tanto na dimensão particular - considerando as biografias, por exemplo, quanto no geral - em se tratando dos estudos acerca da sociedade, da arte, da cultura, religião, política ou economia.
A reflexão que propomos é que não estão dissociados o "fazer história" e o "saber artístico", pois embora caiba no discurso historiográfico a análise, a crítica e o debate, definitivamente, só estarão assimilados pela via da sensibilidade. Cabe ao historiador, desenvolver suas discussões na medida em que, também, sensibiliza, instiga, conscientiza. E neste sentido as representações e os elementos lúdicos, a literatura, a música, as linguagens plásticas, a dança e o teatro poderão ser dispostos como mecanismos metodológicos na produção historiográfica, na escrita da História.
Na medida em que o SABER ARTÍSTICO se propõe a construir ou participar dos processos de evolução pessoal ou social - o que é por si só um poderoso canal educativo, o conhecimento histórico se desdobra em libertação, atestando ter a História cumprido o seu papel. Certamente é por isso que na antiguidade clássica os gregos conceberam Clio a musa da História, sempre associada à Talia, musa do Teatro, e à Euterpe, da Música e da Poesia. Na Índia antiga a sua correspondente é Sarasvati, deusa das artes e do conhecimento. De tal modo que claro está, conscientizar ou fazer história e vivenciar um saber artístico, são caminhos que se seguirão juntos, quando não entrelaçados.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

"Literatura de viagem nas circunavegações"

No último dia 25/08 recebemos no Deptº de História da PUC/SP a visita da Profª Drª Ângela Domingues da Universidade Nova de Lisboa, para conferência sob o título "Descobrir o mundo e produzir conhecimento: viagens de circunavegação e imagens do Brasil na Europa da segunda metade de setecentos."
O foco da apresentação esteve na literatura de viagem para a formação de uma "ciência dos trópicos" a partir de relatos de viajantes europeus e suas experiências no Brasil colonial. O evento, organizado pela Profª Drª Ivone Avelino, contou com participantes que desenvolvem suas pesquisas nos diversos campos da história, além dos estudos de história moderna e colonialismo na América portuguesa.
Embora o debate tenha sido centralizado nos relatos e nas viagens, ficou claro para todos, em suas muitas questões, que a história do Brasil setecentista ainda está por se fazer...

domingo, 3 de julho de 2011

...do nosso maior poeta, aquI.

Compartilho em Drummond sonhos, angústias, e me alimento pra continuar caminhando de modo DEFINITIVO.


Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos

o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções

irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado

do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter

tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que

gostaríamos de ter compartilhado,

e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas

as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um

amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os

momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas

angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo

confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,

todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma

pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez

companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um

verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida

está no amor que não damos, nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do

sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade






terça-feira, 31 de maio de 2011

O Poeta maior da Índia...


Seminário do Depto. de Letras Modernas - FFLCH/USP em parceria com o Consulado Geral da Índia - SP. Um encontro especial sobre aquele que sempre suscitará o conhecimento através da oferenda lírica de um viver consciente e transcendente...

Rabindranath Tagore Hoje - 150 anos

MUDRA - Mostra Cultural da Índia


Depois de uns tempos apertados entre as viagens e a pesquisa de mestrado, volto na intenção de me fazer mais frequente na publicação de textos, embora a maior parte da minha produção textual ainda esteja focada na dissertação da pesquisa. Oportunamente trarei fragmentos deste hercúleo trabalho.
Para este retorno registro a presença do amigo Ananda Jyothi na produção da Mostra Mudra. O evento aconteceu em São Paulo, no SESC Vila Mariana, entre 24 e 30 de maio e contou com artistas indianos em performances de música e dança além de workshops temáticos. Destaco a belíssima apresentação de Arunima Kumar, dançarina de Kuchipudi - um dos sete estilos de dança clássica da Índia. Talentosíssima, possui um abhinaya ( dança expressiva ) surpreendente. Numa das coreografias trouxe a força da deusa Durga com tamanha representatividade que era visível, da platéia, o movimento divino e feminino em cena.

Na música, me encantei com os sons de Abhay Sapori. No entanto, foi com Anuradha Pal que vibrei e me emocionei demasiado, pela feliz fusão de estilos, arranjos, composições, além dos vocais exclusivos do cantor da sua banda, uma figura sensacional, simpático e bollywoodiano, rs...
Os espetáculos contaram com a casa cheia por todos os dias e foi vendo os dançarinos de Ananda Jayant que revivi, mesmo que internamente, a devoção, graça e vitalidade da dança clássica indiana. Parabéns Jyothi ! Jay !!